sábado, 27 de outubro de 2012

Vercauteren contradiz Godinho Lopes?


Ponto 1: procurei tanto quanto podia e não encontrei as declarações de Vercauteren na fonte. Todos os sites portugueses têm praticamente as mesmas frases e escritas da mesma forma, pelo que parto do princípio que terá sido um texto da Lusa. Não tendo outra solução, vou acreditar na tradução e analisar os comentários partindo do pressuposto que foram ditos precisamente dessa forma.

O mais importante é tentar perceber de que forma as frases comprovam o que foi sendo dito por Godinho Lopes desde a saída de Sá Pinto. O presidente foi sempre dizendo que o treinador estava identificado - on the record - dando a entender nas entrelinhas que havia mesmo um nome contratado mas que não era anunciado enquanto esperava pelo timing certo.

Eis as duas frases de Vercauteren que nos ajudam a decifrar mais um pouco. "Houve, de facto, dois clubes que entraram em contacto comigo. Mas quando apareceu a proposta concreta do Sporting decidi logo" e "Na segunda-feira estávamos todos a conversar em volta de uma mesa. Foi tudo muito rápido".

Conclusões, não necessariamente verdadeiras e portanto apenas especulativas:
  • Vercauteren fala em proposta concreta. As duas partes já tinham falado - daí a menção a Duque e Freitas por parte de Godinho - mas não passava de uma possibilidade. Godinho fez bluff?
  • Se Vercauteren estivesse apenas à espera, de nada valeriam os contactos do Standard Liège e do Gent
  • Sentaram-se numa mesa na segunda-feira? Foi tudo precipitado pela derrota em Moreira de Cónegos? As menções a José Couceiro como possível treinador durante segunda-feira comprovam-se como falsas. Acredito que possa ter sido uma possibilidade mas apenas como treinador
Todas as declarações de Vercauteren desde que é treinador do Sporting podem ser vistas aqui. As dos outros intervenientes do Sporting estão também disponíveis na coluna lateral

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Derrota com sinais positivos

Uma análise mais profunda aos jogos só vai começar com Vercauteren no banco, mas é impossível andar já por aqui e não abordar alguns pontos do jogo de hoje na Bélgica. O sinal mais positivo que salta à vista é claro: é impossível não melhorar. A Taça de Portugal já fugiu, a Liga Europa ainda é uma realidade mas poucos acreditarão ser 100% possível e o cenário do campeonato é negro apesar de tudo ser possível, salientando especialmente que o terceiro lugar é uma realidade que não deve ser ignorada.

E em campo? Franky Vercauteren há-de ter tirado conclusões claras. Dois golos sofridos de canto, a adicionar mais um no jogo de Moreira de Cónegos. É um excelente sinal começar por perceber o que está mal e, neste caso, a níveis defensivos, as bolas paradas são uma lacuna óbvia. Felizmente (sim, felizmente) são fáceis de corrigir. Não estamos a sofrer golos por perdermos duelos aéreos, mesmo que não os ganhemos com a frequência desejada. Mais do que isso, é uma questão de posicionamento. Pablo marcou na Taça de Portugal porque não havia um único jogador à entrada da área (e não foi uma situação pontual, manteve-se durante o jogo). Hoje, com o Genk, Oceano pareceu ter corrigido essa nuance, mas continuou a pecar em outras. No primeiro golo, Rojo perde no ar, mas é Cédric que fica plantado na pequena área. No segundo golo, o posicionamento da defesa à zona está demasiado próximo do primeiro poste.
Porquê? Vejamos com a imagem...


O que salta à vista? Não há jogadores no poste e tirando o primeiro obstáculo, toda a defesa à zona está entre o primeiro e o segundo poste. Mais do que não haver jogadores nos postes, é este posicionamento demasiado centralizado (jogadores deviam deslocar-se em bloco para a zona do primeiro poste) que permite que a bola entre a uma altura relativamente baixa numa zona demasiado "quente" e que permita que um desvio de cabeça seja praticamente sinónimo de golo.

Se eu fosse Vercauteren, estaria satisfeito. Corrigir posicionamentos nos esquemas tácticos é uma tarefa simples e fácil de assimilar. Por que não foi feito até aqui? Muito provavelmente, Sá Pinto não se preocupava com isso e Oceano, sabendo que estava a prazo, optou por outras prioridades. E, claro, não havendo um núcleo claro que se mantenha no onze, torna-se difícil que os jogadores acabem por criar rotinas próprias.

A segunda grande dificuldade relaciona-se com a transição defensiva. Até agora, o Sporting já sofreu 16 golos na temporada: dois de penálti (Estoril e FC Porto), um de livre directo (Marítimo), quatro de canto (Videoton, Moreirense e Genk-2) e seis em ataques rápidos (Horsens, Rio Ave, Gil Vicente, Estoril e Moreirense-2). Quantos sobram? Três: ataque continuado de Videoton e FC Porto e um que se torna difícil de catalogar, graças ao erro de Boulahrouz na Hungria. E é por isto que Vercauteren estará satisfeito. Mesmo que ainda não saiba, vai acabar por ver os jogos e perceber que a grande lacuna desta equipa é trabalho de laboratório. Que é possível começar por aí e reconstruir a equipa a partir do plano defensivo.

E é isto que me deixa optimista também. Com profissionalismo, rigor e atenção aos pormenores, as desconcentrações vão deixar de existir e os golos marcados vão começar a fazer a diferença.

Eu acredito!

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Dixit: Cédric

Dia 25 de Outubro - após derrota com o Genk (2-1)

"Este jogo era muito importante para nós e não conseguimos a vitória com muita pena nossa. A equipa controlou o jogo, teve uma atitude à Sporting e foi pena termos ficado com menos um jogador. Foi a partir daí que perdemos o controlo do jogo e que o Genk teve aquela - não sei se lhe podemos chamar bola de golo – oportunidade para marcar e vencer"

"Fica o empenho da nossa equipa neste jogo e é de realçar a força da nossa equipa."

"Vercauteren deve ser um bom treinador, pois caso contrário não estava no Sporting. Vou ter tempo de o conhecer e de trabalhar com ele com todo o prazer. Cada coisa a seu tempo"

Godinho Lopes acordou em 2009


Daniel Sampaio aguçou o apetite dos sportinguistas com o optimismo de uma nova solução desportiva e financeira. Um dia depois, Godinho Lopes explicou no Conselho Leonino e em entrevista a Fátima Campos Ferreira, que essa fórmula mágica não é mais do que um regresso ao passado. Um passado que terminou com Paulo Bento e foi sendo destruído com as contratações de João Pereira e Sinama-Pongolle, primeiro, e com uma autêntica corrida ao investimento no primeiro Verão com Godinho Lopes no comando.

A estratégia despesista falhou. O Sporting quis arriscar numa conjuntura em que já se adivinhava o descalabro global e deu-se mal. O dinheiro da Liga dos Campeões faz muita diferença, quase tanta como o mercado de oportunidades que floresce à volta de uma presença na prova milionária. O Sporting falhou, por três pontos mas falhou, e este ano parece que está novamente a ir pelo mesmo caminho. É preciso restruturar, claro está. Restruturar.

Disse Godinho Lopes que um clube não pode viver a pagar um quarto daquilo que vende em encargos financeiros. Não é preciso ser génio. A solução é implementar a fórmula de sucesso da formação no futebol profissional, onde realmente tudo tem falhado. É preciso recorrer ao ADN da formação. Fátima Campos Ferreira está a dormir para o futebol e soltou um "isso vai demorar anos", mas na verdade as sementes sempre estiveram lançados. Afinal de contas, foi isso que permitiu a Paulo Bento ir camuflando o insucesso da estratégia financeira.

O regresso ao passado só é feito depois de dois exercícios com resultados negativos que superam os 90 milhões de euros. O número é pornográfico e irrepetível. Os custos aumentaram muito e de nada vale que a equipa esteja hoje muito mais bem dotada do que no passado. O plantel é equilibrado à excepção do ponta-de-lança e os patinhos-feios foram sendo erradicados progressivamente. Godinho Lopes queria um plantel internacional e conseguiu-o. Falta o resto.

O sucesso que a equipa B está a ter, com vários nomes na linha da frente, pode ter precipitado a estratégia que, na verdade, não é mais do que um sinónimo para "vamos ter de aplicar uma contenção de custos ao máximo, não há dinheiro, não se gasta". Vercauteren é também ele um elemento que se enquadra bem e tem uma matéria-prima que muitos gostariam de ter. Tem unhas na equipa principal e outras pronto a arranjar. Para já há seis jogadores formados no Sporting na equipa principal - todos os portugueses o são - e será inteligente se se continuar a apostar numa fase de mesclar os talentos estrangeiros com os nacionais.

É preciso ter paciência. Godinho Lopes está a ter um mandato para esquecer no futebol profissional e nas finanças. Sentir o plantel melhor não chega. Mas tem um grande mérito: este é de facto o caminho a seguir. E é-o com Godinho Lopes, com Bruno de Carvalho ou com qualquer outro. Seria bom encontrar um investidor estrangeiro, alguém que acreditasse no Sporting e estivesse disponível para injectar dinheiro, mas não seria suficiente. A bicefalia que Godinho Lopes fala entre futebol profissional e futebol de formação, entre SAD e clube, não tem mesmo razão para existir.

É preciso ter paciência. O Sporting é um clube que ganhou dois títulos nacionais nos últimos 30 anos, mas nós adeptos continuamos a acreditar que somos mais do que aquilo que somos realmente. É que mesmo antes desses 30 anos, o cenário não era muito melhor: da década de 50 até 1980 houve um título a cada quatro anos. Melhor do que hoje, mas ainda assim longe do sinal de grandeza que queremos ostentar.

É preciso ter paciência. Os jogadores são melhores do que aquilo que transparecem mas é preciso estabilidade. E essa estabilidade passa por tratar dos excedentários no final da época, identificar e corrigir as duas lacunas (um avançado e um médio mais criativo) e dar espaço a quem mais se destacou e mais talento demonstra na equipa B. E lança-los de forma gradual. Não é preciso inventar, apenas ter paciência. Difícil para quem anda há anos a desesperar por melhores dias.

Dixit: Oguchi Onyewu


24 de Outubro - entrevista ao portal Yanks Abroad

"O problema é que no Sporting era tudo uma confusão, mas agora estou numa melhor situação"

Dixit: Diego Capel


24 de Outubro - desmentido no site oficial

"Contrariamente ao que foi noticiado em alguma imprensa, em nenhum momento, eu, algum representante meu ou alguém habilitado por mim, admitiu a possibilidade de deixar o Sporting em Janeiro próximo. Hoje, como ontem, continuo agradecido aos dirigentes e aos adeptos . O que posso prometer, como sempre, é a minha entrega ao clube que me ofereceu a possibilidade de jogar o meu futebol."

Dixit: Oceano Cruz


29 de Outubro - após empate com a Académica (0-0)
"Um empate que tem quase sabor a derrota num jogo em que queríamos a vitória. Tivemos dificuldades na forma como circulámos a bola no campo adversário diante de uma Académica muito organizada e fomos penalizados com um empate"

[Não foi a melhor forma de passar a equipa ao novo treinador]"
É deveras complicado para o clube. Há que melhorar a intensidade de jogo, a velocidade como circulamos a bola, melhorar em algumas transições, muito trabalho para sair deste momento complicado"

[Como é que explica ter feito quatro jogos sem vitórias?]
"Em primeiro lugar, sou totalmente responsável por estes resultados negativos. Faltou um pouco o estado de espírito dos jogadores, a nossa organização colectiva e alguns momentos de desconcentração. Falharam demasiadas coisas para que possamos ser uma equipa competitiva"

[O novo treinador não podia ter começado mais cedo?]
"Sinceramente, acho que não. Há sempre um tempo de reconhecimento dos jogadores, seria difícil para o treinador chegar num dia e ter jogo noutro dia. Foi pena o treinador não ter o trabalho mais facilitado daqui para o futuro"

[Arias saiu ao intervalo por problemas físicos? A lesão de Boulahrouz é grave?]
"O Santiago foi um problema físico. O Boulahrouz ainda é cedo para aferir a extensão dessa lesão. Mas os dois jogadores estavam incapacitados para continuar a jogar"

[Vercauteren já teve com os jogadores? Como é que eles reagiram?]
"Ele é que sabe o que quer fazer com equipa. Os jogadores, como profissionais que são, têm que estar preparados"

28 de Outubro - antevisão ao jogo com a Académica

"Jogar em Alvalade tem de ser um prazer enorme porque é perante o nosso público. Se houver entrega por parte dos jogadores, os adeptos vão apoiar a equipa. Tem de ser muito melhor jogar em casa do que fora"

"Não encaro este jogo como se fosse o último de alguma coisa. O Sporting é muito importante na minha vida. Daqui a muitos anos vou trabalhar desta maneira"

"Não tem havido desconcentração colectiva. O que tem havido é pequenas desconcentrações momentâneas individuais. Não é normal estarmos em vantagem em muitos jogos e não conseguirmos segurar o resultado. Mas penso que a equipa tem sabido reagir às adversidades, mesmo quando não consegue vencer"

""Nesta altura, Vercauteren está a começar a conhecer os jogadores. A sua adaptação está a ser normal. Tivemos ainda poucos treinos. O tempo dirá como ele vai trabalhar e quais serão os métodos de treino. A importância deste jogo não permite extravasar"

25 de Outubro - após derrota com o Genk (2-1)

"Demonstrámos uma grande atitude, jogámos sempre com muita ambição, da maneira que gostamos, de trás para a frente. Foi uma pena e o resultado acaba por ser muito frustrante"

"Não falámos [ele e Vercauteren] sobre nada. Hoje a minha especial preocupação era só o jogo. Em relação a outros assuntos, não me preocupei com mais nada a não ser o jogo"

24 de Outubro - antevisão ao jogo com o Genk

"Motivar os jogadores trazendo à tona aquilo que eles têm de melhor. A capacidade técnica, a organização como equipa, algo que já fizemos a espaços com o Moreirense, mesmo que o resultado não tenha sido positivo. Este é um encontro de extrema importância e, se queremos continuar a acreditar, temos de vencer o Genk"

"Para mim este é mais um jogo ao serviço do Sporting e o meu futuro é o jogo de amanhã. Depois do Genk obviamente que virão outras coisas, mas o mais importante agora é o Genk e não o número de jogos que farei"

"Falando de forma sincera, logicamente que não estamos na situação ideal. No entanto, como profissionais que somos, temos de estar focados naquilo que é mais importante. O adversário vai criar-nos problemas suficientes para podermos pensar no resto. Sabemos que temos de estar focados e nada nos pode demover"

"[Sobre chamada de Betinho] Acho que é natural. Trata-se de um jogador que traz algo que pode faltar à equipa em alguns momentos, especialmente se precisarmos de mais um avançado"